Nutrição

21/08/2011 18:35

 

Fonte: http://www.deliciadereceita.com.br/nutricao/artigo-10.html

 

 

    Simone Medeiros Corrêa é nutricionista, formada pela Universidade Federal de Pelotas e atua na área nutricional desde 1998. Possui especialização em administração da produção e nutrição clínica; aperfeiçoamento em vigilância sanitária pela Fiocruz e curso de extensão em nutrição funcional, fitoterapia e técnica dietética, capacitação em Nutrição e estética. Atualmente trabalha em Blumenau e para os internautas do Delícia de Receita, trará informações importantes para uma boa alimentação e cuidados com o seu organismo.

 

 

 

Alimentação Atual do Brasileiro

 

    A alimentação do brasileiro nos dias atuais é decorrência da mudança de estilo de vida e da evolução industrial. Nas décadas de 60 e 80 houve um crescimento rápido e desordenado da população rural para a cidade. Isso acarretou longas distâncias entre o trabalho e a moradia e então começou a se optar pela refeição “fora do lar”, em cantinas, lanchonetes. Esta alimentação também desvinculou a cultura da família sentar junto à mesa, o que acarretou mudanças de horários, hábitos alimentares, tempo para as refeições e a aumentou a comercialização de diversas opções rápidas e práticas de alimentos.

    Desta forma, a alimentação caracterizada como fast food passa a fazer parte da vida do brasileiro dentro e fora do lar. A aquisição de produtos congelados prontos ou semiprontos, alimentos pré-cozidos, pré-temperados fazem parte da lista de compras. Ainda a rede de indústria e comércio aproveita este novo padrão de brasileiro para sempre oferecer novos produtos muitas vezes ricos em gordura, açúcares, aditivos, mas pobres em vitaminas e sais minerais. A nutricionista Simone Medeiros Corrêa, avalia que hoje o padrão de alimentação do brasileiro possui baixo teor de vitaminas, sais minerais, carboidratos complexos e com grande teor de carboidratos simples, gorduras saturadas e trans. “São alimentos que matam a fome, mas não nutrem o corpo”, observa. Além disso, este tipo de alimentação favorece o aparecimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), tais como: diabetes Mellitus, obesidade, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer.

    Simone relata que um estudo realizado pelo Ministério da Saúde informa que o prato típico do brasileiro, arroz e feijão, está sendo consumido cada vez menos. “O aparecimento da comida pronta cresceu 82% na dieta e o consumo de refrigerante 400%”. A análise também revela ter havido um aumento de 34,4% no ano de 1979, para 48,3% em 2003, no aparecimento de doenças crônicas. “Hoje o brasileiro consome menos feijão, raízes, tubérculos, verduras e frutas e mais carnes, leite, açúcares e derivados, sal, alimentos refinados e bebidas alcoólicas”, observa Simone. Em relação ao excesso de peso, o estudo aponta que em 2003, 40% da população estava com o IMC - índice de massa corporal - acima de 25kg/m2, ou seja, com sobrepeso ou obesos e apresenta-se em todas as classes sociais. “Isso demonstra a magnitude do problema de saúde, pois o sobrepeso e a obesidade predispõem a pessoa a doenças como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares”, diz.

    A nutricionista alerta também que a alimentação infantil sofreu as mesmas alterações e que desde as décadas de 70 e 90 verificou-se um crescente número de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Ela argumenta que estes jovens estão adquirindo desde muito cedo problemas de saúde que eram considerados para pessoas acima de 40 anos, como: diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia.

 

 

Alimentação saudável

 

    Uma alimentação saudável pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças. Simone destaca que o brasileiro deve aproveitar a grande variedade de alimentos existentes em todo território nacional. “Existem particularidades em cada região, mas algumas características se mantém como o consumo de frutas, verduras, carnes e alguns grãos”, fala. Ela observa também ter havido uma queda no consumo de peixe e orienta que este deveria estar no cardápio pelo menos uma vez por semana.

    Ainda recomenda que o brasileiro mantenha um bom hábito alimentar composto de duas a quatro porções de frutas ao dia, três a cinco de vegetais, duas a três de carnes magras, duas a três de leguminosas, ovos, sementes oleaginosas, também de leite e o uso esporádico de gorduras e açúcares. Além de consumir seis a oito copos d’àgua e optar por alimentos integrais. “Essa orientação também é válida para quem se alimenta fora de casa. Mesmo fazendo as refeições no bufe, é possível se servir de muita salada, carnes magras, ou retirar os molhos e gorduras visíveis, arroz e feijão. Evitar os refrigerantes, frituras, empanados e excessos na hora de montar o prato. Deve-se optar por uma combinação bem colorida e com pouca gordura”, indica. Outro lembrete feito por Simone é de ler os rótulos dos alimentos, principalmente o teor de açucares, gordura e sódio. “A saúde e a qualidade de vida depende de uma mudança dos hábitos alimentares da família e da inclusão de atividades físicas. A educação alimentar é importante desde a infância através dos pais com a boa escolha dos alimentos. A criança bem nutrida e com bons hábitos de hoje será o adulto sadio de amanhã”, afirma.

 

OBS: seria importante colocar aquele dado do consumo de sal do brasileiro e como cresceu.

 

 

Dicas de boa alimentação

 

Dentro de casa:

- nunca vá ao supermercado com fome, porque a quantidade de guloseimas no carrinho será maior.

- encha o carrinho de frutas e vegetais. Abasteça o lar de alimentos saudáveis para a semana.

- escolha carnes magras, pães integrais, biscoitos com fibras, leite e iogurtes de baixo teor de gorduras.

- cultive o hábito de consumir salgadinhos, doçuras, refrigerantes, apenas nos finais de semana, principalmente as crianças.

– procure obter o hábito de incluir aveia, linhaça, gérmen de trigo, farelo de trigo, nas massas de bolos, pães, biscoitos.

 

Fora de casa:

- nos bufes sirva-se de salada, carnes magras, arroz com feijão.

- fuja dos molhos, maioneses, milanesa, empanados, e frituras em geral.

- ao montar o prato controle a quantidade certa da fome. Evite de se servir por impulso e ansiedade.

- evite refrigerantes, escolha sucos que trazem vitaminas e sais minerais e não apenas calorias.

- não consuma líquidos durante a refeição.

- controle os doces. Não se sirva todos os dias de sobremesa e pegue porções pequenas.

 

Ao trocar a refeição por lanches

 

Peça a montagem de seu lanche de forma diferenciada:

- escolha pão, hambúrguer, bife ou peito de frango, que formam carboidrato e proteína. Inclua salada de forma generosa.

- rejeite as fritas e peça menos queijo e molhos cremosos no sanduíche.

- prefira o sucos feitos na hora, no lugar do refrigerante.

- evite usar maionese, pois o lanche já apresenta um valor elevado de gorduras.

- eventualmente troque o almoço pelo lanche e evite de manter os lanches como forma de refeição na janta.